O sistema educacional tem como um de seus principais objetivos a formação humana e técnica. Para isso, lança mão de diferentes estratégias do que chamamos hoje do processo ensino-aprendizagem. Dentre as diferentes formas de se compreender este processo está a Aprendizagem Ativa. Mas, afinal, o que é a aprendizagem ativa?

O conceito é tratado de diversas formas, gerando diferentes definições. Como todo conceito que trata diretamente de relações humanas, ele apresenta uma forte conotação política. Assim, antes de buscar uma definição para aprendizagem ativa, é importante considerar que ela implicará na forma como entendemos o sentido da aprendizagem, bem como o papel atribuído ao estudante, ao professor e à instituição escolar.

Para tentarmos uma definição mais abrangente, é possível dizer que a aprendizagem ativa é uma ação na qual os estudantes são engajados no conhecimento que será estudado, tendo como fundamentos a leitura, a escrita, a fala, a audição e a reflexão.

Uma diferença que fica clara em relação ao modelo “tradicional” (muitas vezes também chamado de jesuítico) é a mudança do que se espera de ambas as partes do processo, o professor e o estudante. Enquanto no modelo dito tradicional cabe ao professor a escolha e transmissão do conhecimento (ativo), ao estudante (neste caso, chamado aluno) cabe acumular o conhecimento passado e mostrar seu acúmulo via provas (passivo).

A aprendizagem ativa não é apenas uma proposição político-filosófica de pedagogia. Mais do que isto, tem buscado se fundamentar em pesquisas que identificam importantes questões como busca pela autonomia do estudante, engajamento com as disciplinas propostas  e aplicação futura do conhecimento e das competências desenvolvidas no ambiente escolar.

Para que isso se torna real, é importante considerar que o estudante precisa:

  • deixar os conceitos que estão trabalhando mais claros (especialmente via contextualização)
  • questionar o porquê das coisas serem como são (incluindo, aqui, os próprios conceitos)
  • aplicar os conceitos em casos que fazem sentido em sua vida, aumentando a capacidade de usar esses conceitos para outros casos
  • consolidar novos conhecimentos via articulação com conhecimentos e conceitos anteriores

Em termos gerais é possível dizer que o estudante e suas necessidades ocupam o espaço central do processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, existem diversas estratégias e táticas possíveis para que o professor possa criar o ambiente e os desafios necessários à implementação da aprendizagem ativa. Para citar algumas estratégias, podem recorrer a discussões em grupo, solução de problemas, estudos de caso e simulados.

É preciso tomar cuidado, por outro lado, para não confundir a aprendizagem ativa com entretenimento. Não se trata apenas de transferir para o estudante a responsabilidade sobre o aprendizado ou mesmo de desenvolver em sala de aula atividades que mobilizam os estudantes. Mais do que isso, o professor continua com um papel central no processo. Cada atividade desenvolvida deve ser pensada em termos de resultados esperados, competências desenvolvidas, conhecimentos acumulados.

Nosso objetivo nesta seção de Aprendizagem Ativa é discutir seus fundamentos, ganhos e limitações. Também serão apresentadas estratégias e táticas possíveis de serem implementadas nas aulas.

Para acessar a lista de artigos sobre a concepção e implementação de estratégias de aprendizagem ativas em aulas, clique aqui.