Dentre os principais retornos da implementação de estratégias de aprendizagem ativa estão o aumento das habilidades de pensamento, da retenção e transferência de novas informações, da motivação e das habilidades de relacionamento interpessoal. Tendo em mente que esse será o resultado esperado (e desejado), é importante que o professor conceba suas aulas sempre com isso como objetivo.

Para preparar uma aula usando a aprendizagem ativa, é importante considerar os quatro elementos básicos da vida escolar.

1) Falar e escutar

Ao falarmos sobre um assunto somos forçados a organizar as ideias, tornando-as compreensíveis para nós e para quem nos escuta. Baseado nisto, é importante que o professor consiga criar o espaço para que isso ocorra na sala de aula. Basicamente o professor pode fazer uma pergunta ou solicitar que os estudantes conversem entre si. O importante, aqui, é que fica claro sobre o que se deve falar e o porquê disto.

Mesmo quando é desenvolvida uma aula expositiva (no formato tradicional), é possível abrir espaço para a aprendizagem ativa. Para tanto, é necessário que o professor dê um tempo aos alunos para que discutam o tema. O ideal é que o professor, sempre que terminar a exposição de um conceito, abra a discussão para a turma. Algo como “discuta com o colega ao lado o conceito que acabei de expor e pense num exemplo de como ele pode ser aplicado”. É fundamental que fique claro ao aluno o que se quer, não se trata apenas de falar sobre algo, mas de falar sobre algo para uma finalidade aplicada.

Outra técnica que os professores podem usar antes de uma exposição é colocar perguntas provocadoras e que façam sentido na vida dos estudantes. Estas perguntas devem orientar a reflexão, mostrando aos alunos que uma reflexão conceitual pode ter um sentido aplicado. Ao longo da exposição o professor deve se remeter à pergunta colocada. Mostrando como mobiliza conceitos para compreender uma realidade.

No início da exposição também deixe claro que o estudante será demandado, seja para explicar o conceito da forma como o entendeu, seja para reagir a ele. Quando o estudante fica avisado, seu engajamento tende a ser maior pois ele tem uma “missão” que vai além de escutar e escrever.

 2) Escrever

A escrita é importante pois é uma das principais ferramentas que o estudante pode usar para o processamento da informação e do conhecimento que acabou de ganhar. É importante que o estudante faça as anotações em suas próprias palavras e não como um ditado. Ao ter que escrever o que escutou, o estudante busca os termos e correlações que são mais compreensíveis para ele.

Aulas com apresentações são viáveis desde que o estudante tome suas próprias notas. Disponibilizar as apresentações aos estudantes pode fazer com que não anotem durante a aula, se baseando exclusivamente nas apresentações. Um dos problemas que se vê nestes casos é que, na hora de estudar, o estudante não vê sentido em muitas das coisas escritas, criando suas próprias interpretações ou simplesmente se limitando a decorar o que está lá.

Uma das táticas possíveis para estimular a escrita durante as aulas é solicitando que eles escrevam algo e mostrem ao colega. A partir do escrito, o colega deve agregar conhecimentos ou reflexões, de forma a complementar o que foi exposto. Assim, a partir da escrita, passa-se à discussão oral. No final devem redigir uma nova versão, agora mais completa.

Outra tática, ainda dento desta lógica, é pedir que um estudante escreva um conceito o mais completo possível. O outro estudante deve descrever um exemplo que atenda ao que foi descrito no conceito (com nada mais, nada menos). A partir das limitações que o exemplo apresentar em sua descrição, o grupo deve refazer seu conceito, buscando agora uma versão mais ampla e que possa se apresentar como uma ferramenta de análise de mundo.

 3) Ler

A leitura é uma das principais formas de estudo que temos atualmente. Mas não podemos confundir a quantidade de leitura e o tempo dedicado a ela com o resultado. Após o período da alfabetização o tema da leitura deixa de ser tratado como algo a ser construído, desenvolvido. Passa a ser algo a ser promovido e cobrado. Geralmente são indicados livros e cobrada a leitura, mas não ensinamos aos estudantes como e porque ler. [Sobre este tópico, sugiro a leitura da parte que apresenta técnicas de estudos, acessada aqui].

Os estudantes precisam desenvolver técnicas que lhes permitam lidar com diferentes níveis de informação, tanto em complexidade quanto em quantidade. Dentre as técnicas de aprendizagem ativa que dão melhores resultados na dimensão da leitura estão a elaboração de sumários, notas de leitura ou de fichamentos.

Vale ressaltar que não se trata apenas de mandar os estudantes fazerem isso, é preciso retrabalhar o que foi feito. Para tanto existem diferentes ações possíveis. O professor pode apresentar um fichamento modelo e pedir para que os próprios alunos (ou mesmo colegas) corrijam o que foi feito. Aqui objetiva-se mostrar as limitações da exposição escrita. Outra possível tática é o professor descrever o caminho que fez para encontrar o argumento central e os argumentos de apoio de um artigo. Muitas vezes veremos que saber para que serve o resumo, a introdução e a conclusão de um artigo não é algo tão óbvio.

4) Refletir

Em aulas tradicionais o professor tende a ocupar todo o tempo disponível com a exposição oral, buscando maximizar o tempo disponível e não “matar aula”. Um dos problemas associados a isso é que o estudante é demandado apenas na recepção e acúmulo de informação, ele não tem tempo para transformá-la em conhecimento ou mesmo para aprimorar suas principais habilidades. 

Numa exposição de novos conteúdos é importante que o estudante consiga refletir sobre o que ouviu, conectar com experiências ou conhecimentos que já tem.

Uma das formas de se alcançar a reflexão, mesmo no caso de aulas expositivas, é destinar um tempo no meio das falas ou atividades para que os alunos reflitam sobre algo. Como tática é possível o professor indicar que finalizou um tópico e colocar uma pergunta sobre o tópico. Não se trata de uma pergunta de acompanhamento (“alguém tem alguma dúvida?”), mas sim uma problematização (“a partir disto que discutimos, como seria se…”). Essa pergunta não deve ser respondida pelo professor, mas sim deixada como um problema.

Outra forma é recuperar uma pergunta que foi colocada logo no início da aula, solicitando aos alunos que tentem responder a esta pergunta agora que um conceito foi trabalhado. Algo como “partindo da nossa pergunta inicial, como os conceitos que acabamos de trabalhar nos ajudam a responder?”.

 

 

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